tanta memória... wasted and secret words... time after time... J'aime les nuages... les nuages qui passent... là-bas... Tu le connais, lecteur, ce monstre délicat...J'ai longtemps habité sous de vastes portiques ... Que les soleils marins teignaient de mille feux...La musique souvent me prend comme une mer !
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Caravela seiscentista jaz no estuário do Cávado
Associação reivindica pela valorização do achado, descoberto há duas décadas
LUÍS HENRIQUE OLIVEIRA
No estuário do Cávado, mesmo em frente a Esposende, jaz o que resta de uma caravela do tempo dos Descobrimentos. Carbono 14 datou-a de 1548. Parte do navio foi encontrado em dragagens, realizadas há já duas décadas.
Uma caravela de 13 metros de comprimento e com capacidade para transportar até 40 toneladas de carga naufragou no estuário do Cávado em meados do século XVI. Transportaria uma elevada quantidade de cerâmica, ao que tudo indica proveniente de Barcelos. Os motivos do naufrágio são, ainda, desconhecidos da comunidade científica.
Há duas décadas, uma dragagem no estuário poria a descoberto um conjunto de madeiras e de peças de cerâmica - muitas delas inteiras. Porém, as peças trazidas à superfície não despertariam, então, a curiosidade do achador, que julgou tratar-se do local de naufrágio de barco que comercializasse na feira de Barcelos. Só uma década depois é que os achados seriam comunicados à Capitania e ao então Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS). Porém, a proximidade a que os vestígios se encontravam da superfície (apesar de cobertos por metros de sedimentos) motivaria alguma reserva da informação, "para que se salvaguardasse o achado", revela João Baptista, presidente da associação Barcos do Norte, entidade que há muito acompanha o processo.
Segundo o responsável, o CNANS promoveria, em 2000 e 2002, duas campanhas no local. Contudo, não viria a ser possível a localização exacta do sítio do naufrágio. As missões incidiriam na zona do Varadouro, a juzante da ponte de Fão, local do estuário do Cávado onde, noutros tempos, as embarcações fundeavam e onde se crê que a caravela tenha naufragado. Um fragmento dos madeiramentos trazidos à superfície e pertencentes à parte da ré do navio (o cadaste, ver foto) viria a ser datado, através de carbono 14, do ano de 1548, testes estes realizados em universidade dos Estados Unidos. Quanto às cerâmicas ali descobertas, João Baptista assinala que, dadas as suas formas e características, seriam provenientes de Barcelos, asseverando, a propósito, que "são em tudo semelhantes a peças descobertas em Aveiro, no local onde foi encontrado o astrolábio em ouro".
Defendendo a valorização e musealização do achado arqueológico, considerou que um estudo aprofundado permitiria "reescrever" uma parte da história: "Trata-se de reavivar uma importante parte da nossa herança e, no nosso entender, não há dinheiro que pague isso", vaticinou.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
«Nova Águia» edita CD com palestra de Teixeira de Pascoaes
O quarto número da revista «Nova Águia», que inclui um CD com a voz de Teixeira de Pascoaes, é apresentado no próximo sábado na Biblioteca Municipal de Sesimbra. A revista, segundo Renato Epifânio, um dos seus directores, “assume o legado do movimento cultural da Renascença Portuguesa”.
O quarto número evoca os 20 anos da queda do Muro de Berlim e “procura reflectir sobre três vértices: Pascoaes; Portugal e a Europa”.
Adriano Moreira, Miguel Real, Pinharanda Gomes e Manuel Ferreira Patrício são alguns dos colaboradores deste número que inclui um CD com uma palestra de Teixeira Pascoaes gravada em 1952, no Porto.
“A gravação estava na posse da família e permite-nos hoje ouvir a voz mítica e lendária de Pascoaes. O filósofo José Marinho, quando a ouviu, afirmou que teve medo. É de facto uma voz cava, forte e profunda”, disse Renato Epifânio.
Na palestra, o autor de «A Arte de Ser Português» disserta sobre a “alma ibérica”. “Trata-se de um texto que seria o prólogo de uma obra a publicar intitulada «Epistolário ibérico - Cartas de Pascoaes a Unamuno», e que foi já publicado na revista Colóquio de Letras”, explicou o responsável.
O CD é inédito e, segundo Renato Epifânico, a revista não conta em próximos números voltar a editar qualquer CD. A «Nova Águia», com uma tiragem de 2000 exemplares, será apresentada sábado em Sesimbra, tendo ainda previstas apresentações na Quinta da Regaleira, em Sintra, a 7 de Novembro e dia 11 de Novembro às 15h00 no Colégio Militar, em Lisboa, e às 17h00, nos Paços do Concelho da capital.
Teixeira de Pascoaes é o pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos. Nascido em Amarante, em 1877, o escritor que se distinguiu como uma das principais vozes do movimento literário-filosófico Saudosismo, faleceu em 1952.
Entre as suas obras em poesia destacam-se os títulos «Marânus», «O Doido e a Morte» ou «Versos Pobres», enquanto em prosa escreveu as biografias romanceadas de S. Paulo, S. Jerónimo, Santo Antão e Camilo Castelo Branco, e para teatro publicou «Jesus Cristo em Lisboa», em colaboração com Raul Brandão. Colaborou também com Afonso Lopes Vieira no livro de poesia «Profecia».
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Quadro do deus romano está em exposição em Florença
Caravaggio pintou o seu auto-retrato no interior do jarro de vinho visível à direita de Baco, no famoso quadro do pintor do deus romano existente na Galeria dos Ofícios, em Florença, segundo peritos italianos citados hoje pela imprensa.
A descoberta foi feita por restauradores e investigadores, através de uma sofisticada análise com recurso a instrumentos da mais avançada tecnologia.
Os resultados da investigação serão hoje comunicados oficialmente ao Comité Nacional para as Celebrações do quarto centenário da morte do pintor, em 1610.
No interior do jarro, Caravaggio pintou a silhueta de um homem, de pé, com um braço estendido. Alguns traços do vulto são claramente distinguíveis, em particular o nariz e os olhos, sendo também perceptível um colarinho.
Os especialistas crêem poder hoje dizer-se que o pintor (1573-1610) fez o seu auto-retrato reflectido num jarro que tinha à sua frente enquanto estava a pintar.
Segundo o jornal italiano "La Stampa", há já algum tempo que se dizia que o vulto de Michelangiolo Merisi da Caravaggio deveria estar oculto num ponto qualquer do quadro, mas ninguém até hoje pudera demonstrá-lo.
Baco, um quadro a óleo de 95 por 85 centímetros, foi pintado por Caravaggio em 1596 e 1597 por encomenda do cardeal Del Monte para o oferecer a Fernando I de Medici, por ocasião do casamento do filho Cosimo II.
Temporada de Cravo começa sábado em Óbidos e homenageia Händel
Santuário do Senhor da Pedra é o cenário para os quatro concertos que constituem a Temporada de Cravo de Óbidos que começa sábado e termina a 21 de Novembro
A Temporada de Cravo que se realiza desde 2003, acontecerá pela primeira vez num único espaço da vila estremenha, precisamente onde em 1747 nasceu um dos mais importantes compositores portugueses de música sacra, designadamente para cravo, José Joaquim dos Santos.
«A aposta, este ano, é aumentar o número de espectadores, daí termos optado por um espaço maior», disse à Lusa José Parreira, da organização.
A edição deste ano é dedicada aos 250 anos da morte do compositor barroco alemão George Friedrich Händel (1685-1789).
Logo no concerto inaugural, sábado, às 21h30, João Paulo Janeiro apresenta um programa intitulado Música de Tecla de Händel e as suas influências, interpretando peças do compositor germânico, de Scarlatti, Couperin, Bach e Purcell. José Parreira afirmou que «Óbidos tem dedicado especial atenção ao Cravo, nomeadamente pelo facto de aqui ter nascido José Joaquim dos Santos, e além desta temporada tem apostado na investigação da sua obra, a edição de partituras e de CD com peças suas, mas também em dar apoio a novos cravistas».
O município adquiriu em 2000 um cravo, cópia de um Goemans-Taskin do género franco-flamengo 1764-1783, fabricado pelo italiano Guido Bizzi, que «músicos jovens podem tocar gratuitamente».
Sempre no Santuário do Senhor da Pedra, o segundo concerto da Temporada, com objectivos pedagógicos, acontece dia 7 de Novembro, também às 21h30.
O músico José Carlos Rodrigues interpretará suites para Cravo de Händel, e Jorge Rodrigues fará os comentários.
Tanto o cravista como o comentador estarão trajados com fatos da época de Händel (século XVIII).
No sábado seguinte, Ana Mafalda Castro (cravo) e Bruno Monteiro (violino) interpretam músicas de Händel, Bach e Carlos Seixas.
A Temporada encerra dia 21 com o ensemble La Main Gauche constituído por baixo contínuo, flauta de bisel, violoncelo barroco e contra tenor, que interpretarão peças de Häendel e Bach.
Lusa / SOL
Orquestra Nacional do Porto apresenta obras de Henze, Saint-Saëns, Franck e Richard Strauss
Obras de Henze, Saint-Saëns, César Franck e Richard Strauss compõem o programa do concerto que a Orquestra Nacional do Porto apresenta no sábado, na Casa da Música, sob a direcção do maestro titular, Christoph König, disse à Lusa fonte da instituição
Este concerto, concebido de forma a evocar o «contraste entre as paisagens de África e dos Alpes», conta com a presença do pianista russo Alexander Pirojenko, um dos vencedores do Prémio Internacional Vendôme de 2003 e laureado nos Concursos Emil Gilels e Horowitz.
O programa arranca com a obra de Hans Werne Henze La Selva Incantata, seguida de África, Op. 89, de Camille Saint-Saëns, e das Variações Sinfónicas, de César Franck, encerrando com a Sinfonia Alpina, de Richard Strauss.
La Selva Incantata entrelaça várias passagens da ópera O Rei Veado, a grande produção de Hans Werner Henze, escrita entre 1953 e 1956, que marcou a ruptura decisiva do compositor com a dogmática vanguarda europeia da época.
A enorme dimensão da ópera O Rei Veado (quatro horas mais intervalos), de Henze, e as grandes exigências cénicas e de elenco trouxeram problemas práticos.
Isto levou a que, muitos anos depois, o compositor tenha regressado a esta ópera para criar La selva Incantata, encomendada pela Ópera Estatal de Frankfurt para assinalar a sua reabertura em Abril de 1991.
Viajante entusiasta, Camille Saint-Saëns escapava frequentemente ao rigor do Inverno parisiense e à pressão da vida musical da cidade, fazendo férias prolongadas em zonas temperadas.
Em 1889/90 visitou Granada e Cádis e passou depois vários meses nas Ilhas Canárias, tendo composto, durante este período África, uma fantasia num único andamento para piano e orquestra.
As Variações Sinfónicas, de César Franck, fazem parte do conjunto das suas obras-primas tardias, são consideradas pela crítica como tendo sido influenciadas por Tristão e Isolda, de Wagner.
A obra, que data de 1885, foi escrita para o pianista Louis Diémer, como um agradecimento por ter tocado a parte solo do poema sinfónico Les Djinns, de Franck, no ano anterior.
A Sinfonia Alpina, de Richard Strauss, é considerada como «um hino à natureza, com uma descrição detalhada não apenas de sentimentos mas também da paisagem e do clima».
De acordo com os historiadores, o plano da obra foi sugerido por uma viagem de escalada na qual o compositor tinha participado aos 14 anos.
A Sinfonia Alpina está escrita sumptuosamente para uma orquestra de 100 ou mais elementos, incluindo um órgão e, fora do palco, um grupo extra de mais 16 metais, sendo este colectivo essencialmente usado «não para produzir peso e poder sonoro puro, mas para gerar cores em constante variação num equilíbrio perfeito e consistente».
Lusa / SOL
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CCB evoca Jorge de Sena no octogésimo aniversário do seu nascimento
O Centro Cultural de Belém evoca no domingo Jorge de Sena, nascido faz dia 2 de Novembro 80 anos, promovendo a leitura de poemas e contos do poeta, dramaturgo, ficcionista e ensaísta e a projecção do filme Sinais de fogo, baseado no único romance que escreveu
Entre as 14h30 e as 17h lerão os poemas Fernando Luís Sampaio, Luísa Cruz, Mafalda Lopes da Costa, Jacinto Lucas Pires e Helena Barbas.
A partir das 17h15, Jorge Vaz de Carvalho e o realizador de Sinais de Fogo, Luís Filipe Rocha, conversarão sobre o filme Sinais de Fogo, que será projectado logo a seguir.
«Agente de uma certa ideia do amor ('só não é belo o que se não deseja ou o que ao nosso desejo mal responde') e da liberdade ('o resistir a tudo o que pretende diminuir-nos ou confinar-nos'), Jorge de Sena foi acima de tudo um agitador das ideias feitas, um corsário das palavras, um salteador de tesouros escondidos na nossa alma», escreve o CCB numa nota, a propósito da evocação.
Na mesma nota, Sena aparece descrito como «um fora-da-lei da consciência portuguesa do século XX», como alguém que «fez do exílio uma razão acrescida de amar mais dolorosamente o país que era o seu».
Sena faleceu há 31 anos nos Estados Unidos. Os seus restos mortais foram trasladados em Setembro último daquele país para o Cemitério dos Prazeres, em Portugal.
Hoje reconhecido como um dos maiores poetas e uma das figuras centrais da Cultura e do Pensamento do século XX português, Sena saiu de Portugal em 1959, «receando - segundo Jorge Fazenda Lourenço, um dos principais estudiosos da sua obra - as perseguições políticas resultantes de uma falhada tentativa de golpe de estado, a 11 de Março desse ano», em que esteve envolvido.
Tinha então 40 anos e era já autor de cinco títulos de poesia - Perseguição (1942), Coroa da Terra (1946), Pedra Filosofal (1950), As Evidências (1955) e Fidelidade (1958) - que deixaram marca indelével nas Letras portuguesas.
A par da escrita, Sena desenvolvera uma intensa actividade de conferencista e crítico em jornais e revistas, de coordenador editorial e consultor literário, colaborando ainda nos Cadernos de Poesia.
Para o ensaísta Fernando J. B. Martinho, profundo conhecedor da obra de Sena, As evidências é «o ponto mais alto do que poderia considerar-se a primeira fase» da sua produção poética, precisamente a que inclui as cinco obras citadas.
«Sempre a poesia de Sena soube dialecticamente combinar a 'disciplina' e o excesso, a ordem e o 'tumulto', o 'clássico' e o moderno, e isso, em parte, ajudará a explicar o fascínio que por ela experimentam os que iniciaram o seu percurso no ocaso do paradigma modernista», escreveu Martinho, sobre o conjunto da obra poética seniana.
No Brasil, a primeira etapa do seu exílio, Sena permaneceu seis anos, até 1965, período em que deu à estampa Metamorfose (1963), os ensaios de Da poesia portuguesa, O Poeta é um fingidor, O reino da estupidez, Poesia I, o primeiro volume da sua obra poética completa, os contos de Andanças do Demónio e Os ensaios de Camões e o soneto quinhentista peninsular, que apenas seria publicado em 1969.
Nos Estados Unidos, a partir de Outubro de 1965 fez parte do corpo docente da Universidade de Wisconsin, Madison, sendo nomeado professor catedrático efectivo em 1967.
Três anos depois, mudou-se para a Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, onde ocupou os cargos de director do Departamento de Espanhol e Português e do Programa de Literatura Comparada.
Mais sobre Jorge de Sena
http://www.astormentas.com/sena.htm
http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/jdesena.html
http://portugal.poetryinternationalweb.org/piw_cms/cms/cms_module/index.php?obj_id=9657
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